O vice-presidente da República,
Michel Temer (PMDB), enviou uma carta à presidente Dilma Rousseff (PT) em que
se diz “desprezado” pelo governo e cita a desconfiança da petista em relação a
ele e ao seu partido. No documento, obtido na íntegra pela Globo News, Temer
começa com a frase “as palavras voam, os escritos permanecem” e diz que o
documento é “um desabafo que já deveria ter feito há muito tempo”. “Não é
preciso alardear publicamente a necessidade da minha lealdade. Tenho-a revelado
ao longo destes cinco anos.[...] Entretanto, sempre tive ciência da absoluta
desconfiança da senhora e do seu entorno em relação a mim e ao PMDB.
Desconfiança incompatível com o que fizemos para manter o apoio pessoal e
partidário ao seu governo”, diz o vice-presidente e líder nacional da legenda.
Logo após, Temer começa a enumerar diversas situações em que se sentiu
“desprezado” por Dilma. Ele afirma que perdeu protagonismo político durante o
primeiro mandato da petista, ao ser utilizado como “vice decorativo”, e que foi
deixado de lado durante discussões importantes sobre economia e política, sendo
chamado apenas em épocas de crise ou para garantir votações no Congresso. No
texto, Michel cita ainda a recente saída do ministro da Aviação Civil, Eliseu
Padilha, e sugere que o Palácio do Planalto manipulou as informações para que
fosse divulgado que a decisão fazia parte de uma “conspiração”. “Quando se
aprovou o ajuste, nada mais do que fazíamos tinha sequência no governo. Os
acordos assumidos no Parlamento não foram cumpridos. Realizamos mais de 60
reuniões de lideres e bancadas ao longo do tempo solicitando apoio com a nossa
credibilidade. Fomos obrigados a deixar aquela coordenação”, critica Temer,
antes de questionar sobre encontros com o vice-presidente dos Estados Unidos,
dos quais não participou.” PMDB tem ciência de que o governo busca promover a
sua divisão, o que já tentou no passado, sem sucesso. A senhora sabe que, como
Presidente do PMDB, devo manter cauteloso silencio com o objetivo de procurar o
que sempre fiz: a unidade partidária.[...] Finalmente, sei que a senhora não
tem confiança em mim e no PMDB, hoje, e não terá amanhã. Lamento, mas esta é a
minha convicção”, conclui o texto. A assessoria de Temer não confirmou o
conteúdo da carta, mas confirmou que ele recordou “fatos reveladores” ocorridos
durante o primeiro e o atual mandato presidencial. Ainda assim, garantiu que
ele não propôs rompimento “com partidos ou com o governo”. BN
