Mr Ynet

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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

NE: municípios têm gastado 71,27% do Fundeb para pagar professores

Os municípios nordestinos têm gastado em média 71,27% da receita do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) somente com o piso dos professores. A informação da Confederação Nacional de Municípios (CNM) comprova que, o critério de reajuste do piso tem impossibilitado a cada ano o cumprimento da lei.

Segundo dados do Sistema de Informações Orçamentárias da Educação (Siope), a média nacional é de 77%. A própria legislação prevê que sejam gastos 60%, mas não há como aplicar só isto com os atuais reajustes. Com os resultados da pesquisa, a CNM alerta que os recursos do Fundeb ficam cada vez mais insuficientes para que os governos cumpram a remuneração mínima indicada na Lei do piso.

Em todo o Brasil, os gastos com a folha do magistério somaram, de 2009 a 2014, mais de R$ 28 bilhões. Este ano, mais R$ 6,8 bilhões serão somados a este montante. Na região Nordeste, a expansão foi de R$ 8.250.308.935,94, e a expectativa para 2015 é de mais R$ 2.046.935.568,28. Os Municípios brasileiros contratam 1.138.890 funções docentes – 415.379 delas estão nos noves Estados nordesntinos. E este total deve aumentar, pois a lei determina um terço do tempo fora da sala de aulas, assim precisarão haver novas contratações.

Entenda a preocupação dos Municípios
A CNM salienta que, desde a criação da lei, não é contra o Piso Nacional de Valorização do Magistério Público. Mas, com base em cálculos recentes, a entidade faz uma alerta: nos próximos anos, a receita do Fundeb não será mais suficiente para pagar a remuneração desses profissionais.

Em 2009, quando a Lei 11.738/2008 entrou em vigor, o piso era de R$ 950 para a jornada de 40 horas semanais. Este ano, com a soma de todos os reajustes feitos a cada janeiro, o valor chegou a R$ 1.917,78 – aumento de 13,01% em comparação a 2014. Portanto, o piso dos professores cresceu 101,9% – total acima da inflação. Enquanto isso, as receitas do Fundeb cresceram apenas 85%.

O alerta da CNM é justamente para este ponto. O valor pago aos professores é reajustado, a cada ano, acima do crescimento da fonte de financiamento, que é o Fundeb. Assim, ele logo ficará insuficiente. O pagamento se tornará inviabilizado. De acordo com a Confederação, esta situação mostra o porquê de os prefeitos e governadores estarem com tantas dificuldades em pagar o Piso Nacional do Magistério.

Ao apresentar estas informações, a CNM defende: não se trata de falta de vontade politica por parte dos gestores. As dificuldades no pagamento são consequência da falta de fonte de financiamento que sustente o atual critério de reajuste. O presidente da CNM ressalta que os professores devem ser melhor remunerados e valorizados, mas se a lei não sofrer alterações, o Fundeb não será mais suficiente. “Dessa forma todos perdem. Os gestores por não conseguir cumprir o que determina a lei e os profissionais que não terão os vencimentos pagos”. A CNM entende que o governo federal deve entrar nessa discussão e adicionar recursos ao Fundeb.

Critério de reajuste
A remuneração dos professores cresce tanto porque o indicador que serve de referência para o reajuste é o chamado “valor mínimo nacional por aluno”. Ele corresponde ao valor estimado da receita do Fundeb dividido pelo número de alunos de uma determinada etapa do ensino básico. O detalhe é que, das 15 etapas da educação básica, que vai desde a creche ao ensino médio, o legislador escolheu a etapa das séries iniciais do ensino fundamental da área urbana como parâmetro para calcular essa média.

Ocorre que o número de matrículas dessa etapa está estagnado ou em queda. Ela estava universalizada desde os tempos do antigo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef). Com isso, temos menos crianças na escola, mas o valor por aluno cresce mais do que a própria receita. Além disso, o governo tem superestimado as receitas do Fundeb, que são utilizadas no cálculo do valor por aluno.

Para solucionar o problema, o Congresso Nacional busca um novo critério de reajuste. Acordos entre gestores municipais e estaduais com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) estão em andamento.

Por causa da quantidade de docentes nas folhas municipais, as prefeituras têm gastado em média 24% do orçamento somente com os professores. O magistério tem um impacto muito forte nas folha de todos os Municípios. Qualquer avanço nessas despesas influenciam o gasto com pessoal e os limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal – 54% da Receita Corrente Líquida. (Fonte: Ascom/CNM)