Vivemos num mundo cada vez mais
dominado pela mediocridade em todos os aspectos da vida humana. Já não é mais
possível destacar nenhuma sumidade no campo das artes, da literatura, da
filosofia, enfim, da alta cultura e, sobretudo, no contexto da política onde em
épocas passadas pululavam grandes estadistas da envergadura intelectual de
Péricles e Julio Cesar na antiguidade e mais recentemente Lincoln Clemenceau,
De Gaule, Rooselvelt, Eisenhower, entre outros, do mesmo naipe. No Brasil, os
políticos continuam atuando no mesmo cenário há décadas e formando verdadeiras
dinastias que vão passando de pais para filhos sem renovações nem tampouco
novas lideranças que tragam um projeto de país e não um projeto de poder capaz
de arranca-lo do marasmo que se encontra.
Apontar no mundo hodierno alguém que se destaque pelo talento, pela
cultura, pela visão, pelo saber vasto e variado, ou seja, pela erudição
tornou-se uma tarefa difícil. Este é, sem sombra de duvidas, o maior entrave
para o desenvolvimento e crescimento do nosso país. Tudo isso é consequência do
que se vem repetindo ad nauseam do gargalo na educação que não consegue
preparar indivíduos com habilidades e competências para dominar as habilidades
mais elementares.
Por outro lado, a massificação do
ensino superior e sua disseminação indiscriminada através de faculdades que
estão mais preocupadas com o lucro do que a formação acadêmica e ávidas por
explorar a camada de estudantes com baixa escolaridade que, em condições
normais, não conseguem ingressar em uma universidade de prestigio tem
contribuído grandemente para esse estado de coisas. O objetivo desse
contingente é a obtenção pura e simples do diploma que funciona como uma
espécie de passaporte para melhorar o salário e obter cargos mais elevados.
Como gosta de frisar o professor Olavo de Carvalho nossos compatriotas tem
desprezo pelo conhecimento e um temor reverencial aos seus símbolos exteriores
como diplomas, cargos, espaço na mídia e tutti quanti. Isso pode ser observado
em todas as classes sociais. Para ele, a educação é uma conquista pessoal. O
que um educador de verdade precisa é oferecer as ferramentas com as quais o
educando possa construir o seu conhecimento. A própria palavra educação vem de
ex ducere cujo significado é lançar para fora, o que tem sido o contrario do
que fazem em nossas escolas. O resultado é o analfabetismo funcional que impera
todos os segmentos da sociedade. Pesquisas revelam que metade dos estudantes do
ensino superior não dominam as habilidades de leitura e escrita.
Os artigos, as aulas, as
conferências, as palavras de Olavo de Carvalho constituem um verdadeiro libelo
contra o processo de imbecialização que vem assolando o mundo e principalmente
o Brasil.
Muitos chegam ao ápice na
carreira sem o mínimo de conhecimento e visão, munido apenas de muita teoria,
pouco conhecimento e informações que possam servir de base sólida para
apresentar as soluções dos problemas inerentes a sua área de atuação. No
Brasil, indivíduos inteligentes e talentosos são considerados uma ameaça e até perigosos
ao establishment. Por isso, precisam ser alijados o mais rápido possível.
Ninguém valoriza a meritocracia. É preciso valorizar os que têm visão e não
persegui-los. Já houve quem dissesse que o Brasil é um país mal escrito porque
é mal pensado a começar pela nossa constituição que é um cipoal de leis que dá
margem a várias interpretações. Acontece o mesmo com os projetos que sempre
pecam pela ambiguidade desde a fase de elaboração, execução e conclusão.
O principal patrimônio de um povo
é o “capital cultural” que ele acumula ao longo de sua história. Isso só é
possível como afirma o já citado Olavo de Carvalho através da pratica da
língua, da religião e da alta cultura. Basta observar as grandes potências que
dominam o mundo atual. Antes de atingirem a riqueza material foram centros
irradiadores de cultura. Em outras palavras, antes de resolverem seus problemas
materiais cuidaram das questões ligadas ao espírito. Com mais de cinco séculos
de história, o Brasil não deu nenhuma contribuição ao mundo no campo da cultura
que possa ser incorporada ao patrimônio cultural da humanidade. Há quem afirme
que a história do Estados Unidos pode ser contada pelo cinema, da França pela
literatura, da Alemanha pela obra de seus filósofos e da Espanha pela obra de seus
artistas. E a história do nosso país? Qual é o legado que podemos deixar para a
posteridade? Esse talvez seja o nosso maior desafio, ou seja, tirar o povo do
estado de letargia em que se encontra há muito tempo e despertá-lo para o novo
mundo que se descortina.
Segundo Nelson Rodrigues “O mundo
só se tornou viável porque antigamente, as nossas leis, a nossa moral, a nossa
conduta eram regidas pelos melhores. Agora a gente tem a impressão de que são
os canalhas que estão fazendo a nossa vida, os nossos costumes, as nossas
ideias. Ou são os canalhas ou são os imbecis, e eu não sei dizer o que é pior.
Porque você sabe que são milhões de imbecis para cada dez sujeitos
formidáveis.”. Em suma, a única raça que nunca está em extinção é a dos
imbecis.
