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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Tempos de Mediocridade - Por José Antonio da Silva Barros

Vivemos num mundo cada vez mais dominado pela mediocridade em todos os aspectos da vida humana. Já não é mais possível destacar nenhuma sumidade no campo das artes, da literatura, da filosofia, enfim, da alta cultura e, sobretudo, no contexto da política onde em épocas passadas pululavam grandes estadistas da envergadura intelectual de Péricles e Julio Cesar na antiguidade e mais recentemente Lincoln Clemenceau, De Gaule, Rooselvelt, Eisenhower, entre outros, do mesmo naipe. No Brasil, os políticos continuam atuando no mesmo cenário há décadas e formando verdadeiras dinastias que vão passando de pais para filhos sem renovações nem tampouco novas lideranças que tragam um projeto de país e não um projeto de poder capaz de arranca-lo do marasmo que se encontra.  Apontar no mundo hodierno alguém que se destaque pelo talento, pela cultura, pela visão, pelo saber vasto e variado, ou seja, pela erudição tornou-se uma tarefa difícil. Este é, sem sombra de duvidas, o maior entrave para o desenvolvimento e crescimento do nosso país. Tudo isso é consequência do que se vem repetindo ad nauseam do gargalo na educação que não consegue preparar indivíduos com habilidades e competências para dominar as habilidades mais elementares.

Por outro lado, a massificação do ensino superior e sua disseminação indiscriminada através de faculdades que estão mais preocupadas com o lucro do que a formação acadêmica e ávidas por explorar a camada de estudantes com baixa escolaridade que, em condições normais, não conseguem ingressar em uma universidade de prestigio tem contribuído grandemente para esse estado de coisas. O objetivo desse contingente é a obtenção pura e simples do diploma que funciona como uma espécie de passaporte para melhorar o salário e obter cargos mais elevados. Como gosta de frisar o professor Olavo de Carvalho nossos compatriotas tem desprezo pelo conhecimento e um temor reverencial aos seus símbolos exteriores como diplomas, cargos, espaço na mídia e tutti quanti. Isso pode ser observado em todas as classes sociais. Para ele, a educação é uma conquista pessoal. O que um educador de verdade precisa é oferecer as ferramentas com as quais o educando possa construir o seu conhecimento. A própria palavra educação vem de ex ducere cujo significado é lançar para fora, o que tem sido o contrario do que fazem em nossas escolas. O resultado é o analfabetismo funcional que impera todos os segmentos da sociedade. Pesquisas revelam que metade dos estudantes do ensino superior não dominam as habilidades de leitura e escrita.

Os artigos, as aulas, as conferências, as palavras de Olavo de Carvalho constituem um verdadeiro libelo contra o processo de imbecialização que vem assolando o mundo e principalmente o Brasil.

Muitos chegam ao ápice na carreira sem o mínimo de conhecimento e visão, munido apenas de muita teoria, pouco conhecimento e informações que possam servir de base sólida para apresentar as soluções dos problemas inerentes a sua área de atuação. No Brasil, indivíduos inteligentes e talentosos são considerados uma ameaça e até perigosos ao establishment. Por isso, precisam ser alijados o mais rápido possível. Ninguém valoriza a meritocracia. É preciso valorizar os que têm visão e não persegui-los. Já houve quem dissesse que o Brasil é um país mal escrito porque é mal pensado a começar pela nossa constituição que é um cipoal de leis que dá margem a várias interpretações. Acontece o mesmo com os projetos que sempre pecam pela ambiguidade desde a fase de elaboração, execução e conclusão.

O principal patrimônio de um povo é o “capital cultural” que ele acumula ao longo de sua história. Isso só é possível como afirma o já citado Olavo de Carvalho através da pratica da língua, da religião e da alta cultura. Basta observar as grandes potências que dominam o mundo atual. Antes de atingirem a riqueza material foram centros irradiadores de cultura. Em outras palavras, antes de resolverem seus problemas materiais cuidaram das questões ligadas ao espírito. Com mais de cinco séculos de história, o Brasil não deu nenhuma contribuição ao mundo no campo da cultura que possa ser incorporada ao patrimônio cultural da humanidade. Há quem afirme que a história do Estados Unidos pode ser contada pelo cinema, da França pela literatura, da Alemanha pela obra de seus filósofos e da Espanha pela obra de seus artistas. E a história do nosso país? Qual é o legado que podemos deixar para a posteridade? Esse talvez seja o nosso maior desafio, ou seja, tirar o povo do estado de letargia em que se encontra há muito tempo e despertá-lo para o novo mundo que se descortina.

Segundo Nelson Rodrigues “O mundo só se tornou viável porque antigamente, as nossas leis, a nossa moral, a nossa conduta eram regidas pelos melhores. Agora a gente tem a impressão de que são os canalhas que estão fazendo a nossa vida, os nossos costumes, as nossas ideias. Ou são os canalhas ou são os imbecis, e eu não sei dizer o que é pior. Porque você sabe que são milhões de imbecis para cada dez sujeitos formidáveis.”. Em suma, a única raça que nunca está em extinção é a dos imbecis.