Jerônimo Rodrigues (PT) voltou a assumir a liderança da corrida pelo governo do estado e abriu uma vantagem de quatro pontos percentuais sobre o segundo colocado, o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil).
Os números estão na quinta rodada
de pesquisas AtlasIntel/Grupo A TARDE, e confirmam uma tendência de crescimento
do candidato petista. No intervalo de uma semana, desde o último levantamento,
Jerônimo teve um avanço de 10% nas suas intenções de voto, chegando a 44,5%.
Tomando por base a primeira
pesquisa divulgada em 17 de julho, o ex-secretário de educação cresceu 36% e
foi o único a avançar em todos os levantamentos. ACM Neto começou na liderança,
oscilou para baixo, recuperou votos e agora aparecem com 40,5%, 0,8 pontos
acima do índice registrado em julho.
Pela margem de erro, Jerônimo e
Neto estão tecnicamente empatados, no limite da margem de erro. Num eventual
segundo turno, o equilíbrio permanece, com 47% de intenções de voto para o
petista e 45,7% para o ex-prefeito de Salvador. Apesar do empate, é a primeira
vez que Jerônimo aparece à frente no segundo turno.
O cientista político Andrei
Roman, executivo-chefe da AtlasIntel, acredita que Jerônimo cresceu atraindo
para si os votos de Lula que estavam com Neto e que ainda somam um percentual expressivo.
Ao contrário do que se possa pensar numa primeira análise, os votos perdidos
por Roma estariam indo para o candidato do União Brasil e não para Jerônimo.
Segundo Andrei, Roma entrou em
estagnação e seus eleitores estão migrando para Neto por conta da polarização.
“Neto cresce em função do voto útil, do eleitor bolsonarista conservador, que
quer evitar um segundo turno com o candidato do PT”, diz.
Sobre Jerônimo, Andrei percebe um
crescimento geral, em todos os segmentos, tanto no primeiro quanto no segundo
turnos, e, principalmente, na avaliação da imagem do petista. Ainda pouco
conhecido do eleitorado – 34% dizem não saber quem ele é – Jerônimo já aparece
com a imagem melhor que o senador e ex-governador Jaques Wagner, com 44 a 39
pontos de avaliação positiva.
uma estratégia de justificação de
voto. “Para não ter que justificar o voto em ACM Neto, alguns eleitores dizem
não conhecer Jerônimo”, diz Andrei.
Para ele, no entanto, muitas
pessoas estão conhecendo Jerônimo durante a campanha e isso se reflete nas
intenções de voto, embora o adversário ainda leve vantagem nesse quesito. “Ao
mesmo tempo que a imagem de Jerônimo melhora, nós vemos uma resiliência de ACM
Neto”, diz Andrei. “Ele é muito conhecido, foi prefeito de Salvador por oito
anos”, lembra o cientista.
Por outro lado, o crescimento de
Jerônimo em Salvador, onde passou de 42% para 53,8% de intenções de voto,
enquanto Neto caiu de 42,2% para 34,3% demonstra um certo desgaste do candidato
do União Brasil na cidade que governou e cujo sucessor ajudou a eleger.
Andrei alerta para o fato de que
o recorte abrange toda a Região Metropolitana de Salvador, mas credita a queda
de ACM Neto na capital à avaliação negativa do atual prefeito, Bruno Reis,
sobretudo no combate à pobreza, corrupção e mobilidade, como demonstrado pela
Artlas em pesquisa publicada por A TARDE.
Senado
Apesar de uma leve oscilação para
baixo, a pesquisa confirma a vitória de Otto Alencar (PSD), candidato à
reeleição. Com 47,5% das intenções de voto, 2,5 pontos abaixo da última
pesquisa, Otto ainda tem quase 30 pontos de vantagem sobre o segundo colocado.
A novidade é a arrancada de Cacá
Leão (PP), que até então ocupava o terceiro lugar e agora desponta com 18,4%,
superando Raissa Soares (PL), que recuou de 14,6% para 13 pontos, confirmando a
tendência de desidratação da chapa bolsonarista.
Para Andrei Roman, isso se deve
ao maior conhecimento do nome de Cacá, que é favorecido pelo capital político
de ACM Neto e pode também refletir um movimento de voto útil, com migração dos
eleitores de Bolsonaro para evitar um segundo turno com Jerônimo na disputa ao
governo.
Ainda assim, a 10 dias da
eleição, o cientista político sustenta que a disputa para o Senado na Bahia
está definida, não havendo espaço para nenhuma surpresa ou criação de uma onda
capaz de alterar as projeções
Lula sobra na Bahia
Resolvida também está a disputa
para a presidência. Pelo menos, no que depender dos baianos. O levantamento da
AtlasIntel mostra que o ex-presidente Lula (PT) teria 67,2% dos votos se a
eleição fosse hoje. Significa que dois de cada três baianos votam no petista.
O presidente Jair Bolsonaro (PL) aparece com 24,8% e, em caso de segundo turno, só chegaria a 26,3%, contra 70,4% de Lula. O atual ocupante do Palácio da Alvorada perde em todos os recortes demográficos. Seu melhor desempenho é entre os evangélicos, com 40,5% ante 53,5% de Lula.